Coisas acontecem quando há descontrole financeiro, como ajustar? – Parte I
Juca Maneiro fala de sua experiência
Após receber o salário mensal, Juca Maneiro, gerente em uma grande empresa, se deu conta de que não tinha dinheiro o suficiente para pagar as despesas do mês e muito menos reservas até o próximo pagamento. Sentiu-se impotente, sem vitalidade, como se todo o seu esforço fosse um sacrifício em vão.
Desanimado com a situação, diariamente se arrastava até a empresa. Seu trabalho já não tinha o mesmo significado que antes, com isso os resultados estavam aquém das expectativas de seu departamento.
Para ele que sempre se dedicou com esmero àquela empresa, os dias se tornaram longos e vazios. Seu diretor percebendo que algo não estava bem o chamou para uma conversa. Juca Maneiro disse que andava muito cansado e que alguns dias de férias o faria recuperar. O diretor concordou em lhe conceder quinze dias de descanso.
Em casa, Juca Maneiro informou a família que teria quinze dias de férias. Os filhos e a esposa receberam a notícia com muita alegria, pensaram em viagem, falaram de coisas que precisavam comprar… O entusiasmo os impediu de perceber a reação de Juca. Ele ficou enfurecido, seu rosto avermelhou e ao tentar colocar para fora sua ira, caiu ao chão. Sua esposa pediu socorro ao vizinho, um cardiologista, que o diagnosticou a tempo. Juca teve um princípio de infarto, anunciou o médico.
Ele ficou hospitalizado durante cinco dias. Nesse período conseguiu reorganizar sua mente e definir um plano de ação para gerenciar as finanças. Porém, conhecendo sua família hesitou entre abrir o jogo e pedir ajuda a eles ou impor medidas por sua conta e risco.
Decidiu pela segunda alternativa. Reuniu esposa e filhos, comunicou a real situação financeira e impôs as medidas de contenção. Informou que nos próximos três meses os filhos não teriam mesadas, nem internet, nem celular. A partir de hoje, disse: o tempo de banho será de cinco minutos, no máximo. Não renovaremos as assinaturas de jornais e revistas. Compras de supermercado estão limitadas ao necessário e essencial. Roupas e utensílios somente após a organização do orçamento. Proibido usar cartão de crédito.
A família, em choque, reagiu. Os filhos não abriram mão de seu conforto. Disseram que banho em menos de 20 minutos seria impossível. A esposa concordou que precisavam mudar algumas coisas, mas que aquela não era a melhor forma. Disse, ainda, que havia assistido a uma reportagem sobre orçamento doméstico e que era possível adotar alguns procedimentos.
Indignado com a reação da família, Juca desabafou: “vocês pensam que é fácil ganhar dinheiro?” “não vêem que trabalho até nos finais de semana para mantermos esse padrão de vida?” “dinheiro parece uma maldição”. Saiu pisando duro em direção ao seu quarto.
A esposa, muito dedicada, preparou um chá para acalmar Juca. Ao sentir que ele estava mais tranqüilo, compartilhou o seuaprendizado sobre orçamento doméstico.
Com o coração em paz e a mente tranqüila, Juca Maneiro, reestruturou o plano de ação de modo inteligente.
Definiu cinco passos para iniciar a mudança:
- Fazer check-up das despesas, analisar as contas dos últimos três meses
- Pedir ajuda aos filhos e a esposa para, juntos, fazerem os levantamentos dos gastos
- Controlar pequenos gastos e entender o comportamento de consumo de cada um
- Desenvolver fluxo de caixa para controlar entradas e saídas
- Elaborar um planejamento de modo que a renda familiar mensal possa ser distribuída entre: Despesas fixas, variáveis, investimentos, lazer e doações.
Ações imediatas:
Trocar um dos carros por outro de valor menor.
Regras para consumo consciente:
- Banhos diários de cinco minutos, no máximo.
- Ligar a TV somente se for assistir a algum programa
- Fazer lista de compras para supermercado e seguir o que foi escrito
- Alterar planos de telefonia fixa, celular, banda larga e TV por assinatura
- Colocar limite de gastos nos cartões de crédito
Essa é uma parte da história. A esposa dele começou a trabalhar. Muitas mudanças irão acontecer na vida de Juca Maneiro.

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